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COP30: Um evento grande para uma Belém pequena

Em 2023, o Brasil foi confirmado como o país que sediará a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, marcada para ocorrer entre os dias 10 a 21 de novembro. Belém, a cidade escolhida para comportar o evento, tem 1,3 milhão de habitantes. Com nove portões de embarque no aeroporto internacional Val-de-Cans e 18 mil leitos no ano passado, a capacidade da Cidade de comportar um público de em média 50 mil pessoas é questionável.

A COP
Criada em 1995, a Conferência Das Partes (COP) surgiu como órgão decisório da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), tratado internacional da ONU para estabilizar as concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera. Como a UNFCCC está em vigência desde 1994, outros assuntos foram colocados em voga nestes 30 anos de conferências em prol da preservação do meio ambiente. Assim, a COP é um encontro global de frequência anual onde líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais (ONGs) e demais representantes discutem ações para combater as mudanças do clima.

A COP30 têm como tópicos de discussão, além da emissão de gases do efeito estufa: adaptação às mudanças climáticas; Financiamento climático para países em desenvolvimento; Tecnologias de energia renovável e soluções de baixo carbono; Preservação de florestas e biodiversidade e justiça climática e os impactos sociais das mudanças climáticas, de acordo com os dados do Planalto.

As reformas em Belém
Apesar do governo brasileiro ter garantido um plano para comportar o evento na cidade de Belém, o problema logístico ainda é visível. Baku, capital do Azerbaijão, teve que fazer estadia para mais de 70 mil pessoas na COP29 ano passado. Belém começou um processo de reformas há pouco mais de um ano da abertura da conferência e, apesar do investimento, o prazo não se mostra tão suficiente.

Para ajustar o déficit de hotéis, de lazer, de infraestrutura viária e de espaços para a própria conferência em si, já foram gastos mais de 4,5 bilhões de reais. O projeto para a reforma de Belém consiste em cessão de lotes de domínio público para aprimoramento do setor hoteleiro, quadras, prédios para as reuniões, ampliação do aeroporto, construção de parque de convivência, requalificação dos canais das bacias hidrográficas e a construção da Rodovia da Liberdade, que, ironicamente aos temas da COP30, está sendo construída em território da floresta amazônica. Apesar de o projeto ter sido aprovado em 2020, ele não foi repensado mesmo após a confirmação do evento na cidade e os líderes mundiais, cientistas, dirigentes de ONGs e demais representantes irão dialogar por melhorias ao meio ambiente, dirigindo por uma estrada feita a partir de 13 km de desmatamento.

Desigualdade ambiental
A COP30 na amazônia irá apresentar o melhor do que há em Belém, mas também suas mazelas. Apesar da empreitada estar gerando cerca de 5 mil empregos diretos e o PIB paraense ter crescido 3,5%, não se sabe se todos os aprimoramentos serão úteis para a cidade a longo prazo. Hotéis de luxo estão sendo construídos em uma cidade que trabalha com outro tipo de turismo. Além disso, não haverá leitos o suficiente nesses hotéis, fazendo-se necessários os leitos em embarcações de cruzeiro que serão autorizadas a serem levadas para lá.

O governo do Pará também aprovou a construção de ditas “eco-árvores”, atualmente chamadas de “jardins suspensos”, esculturas que parodiam árvores usando galhos e folhas reaproveitados de trepadeiras. O objetivo é que cerca de 180 dessas árvores artificiais sejam instaladas pela cidade, para amenizar o calor. Belém é uma das cidades menos arborizadas do país, segundo dados do IBGE. 

Reure Macena, engenheiro ambiental e apresentador do canal no YouTube “Florestal Brasil”, comentou em vídeo temático que o plano original era arborizar grande parte da cidade usando da técnica de transplante de árvores, porém ou o solo em certas regiões não comportava as raízes, ou as mudas menores não cresceriam até novembro deste ano. “Um outro ponto que eu também não achei muito interessante é que parte dessas plantas que foram escolhidas não são nativas aqui da amazônia e se o intuito da obra é valorizar a natureza e a sustentabilidade e as nossas potencialidades amazônicas, nada mais justo colocar espécies que sejam de fato nativas para ornamentar aqui este espaço”.

No domingo do dia 18 de maio, o Canal da avenida Cipriano Ramos, um dos investimentos do pacote de revitalização de canais de saneamento da cidade. De acordo com o governo paraense, a intervenção faz parte das ações de macrodrenagem da Bacia do Tucunduba, beneficiando diretamente mais de 300 mil pessoas. Porém, comunidades ribeirinhas como a Vila da Barca, não estão no plano de ação. Belém é a capital com a maior concentração de áreas de favela do país, com 57,17% da população vivendo em áreas precárias como em Vila da Barca, onde as pessoas se alojam em casas de palafitas e sofrem com a falta de saneamento básico.

Com a ausência de um esquema que englobe toda a cidade, os espaços precarizados sofrem com o retorno do esgoto, resultando na falta de água limpa para necessidades básicas. O caos das construções de grande proporção por toda a cidade aumentam a sujeira. Algumas das ideias, como os jardins suspensos e os hotéis de luxo, não aparentam ser viáveis a longo prazo e os cinco mil empregos são temporários. O que era para ser um completo legado para a cidade, em certos aspectos deixa em evidência a invisibilidade das classes mais pobres.

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