
Os impactos da crise ambiental não atingem todas as pessoas da mesma forma. Embora muitas vezes se diga que “o meio ambiente pertence a todos”, na prática, alguns grupos sofrem de maneira mais intensa e frequente com a poluição, os desastres climáticos e a degradação dos recursos naturais. Esse fenômeno é conhecido como racismo ambiental.
O termo surgiu nos Estados Unidos, na década de 1980, quando movimentos comunitários denunciaram que aterros tóxicos, fábricas poluentes e instalações perigosas eram frequentemente implantados em bairros majoritariamente habitados por populações negras e pobres. Desde então, o conceito passou a ser adotado por pesquisadores e ativistas de diferentes países, inclusive no Brasil, como uma chave de leitura fundamental para compreender como desigualdades sociais e raciais se cruzam com questões ambientais.
O racismo ambiental ocorre quando grupos historicamente marginalizados, como comunidades negras, indígenas, quilombolas e populações de baixa renda, são desproporcionalmente expostos a riscos ambientais e têm menos acesso a bens naturais de qualidade, como água potável, áreas verdes e ar limpo. Além disso, essas populações costumam ter menos representação em espaços de decisão que definem políticas públicas sobre uso do solo, licenciamento de grandes empreendimentos e estratégias de prevenção de desastres.
No Brasil, exemplos desse problema podem ser observados em diversas situações:
- Os desastres de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, comprometeram de forma severa a saúde, a subsistência e o território de comunidades ribeirinhas e povos tradicionais.
- A ausência de saneamento básico em grandes áreas urbanas e periféricas, onde vivem predominantemente famílias negras e pobres.
- O avanço de projetos de mineração e monocultivo sobre terras indígenas e quilombolas, com contaminação de rios, destruição de matas e insegurança alimentar.
As enchentes e deslizamentos que atingem moradias precárias em encostas e margens de córregos, resultado direto da desigualdade no acesso à terra urbana.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O racismo ambiental não se restringe apenas aos danos diretos. Ele também se manifesta na invisibilidade das denúncias, na dificuldade de acesso à justiça e na falta de reconhecimento pleno dos direitos dessas populações.
Para ampliar o debate público sobre esse tema e aproximar o conhecimento científico da sociedade, instituições de pesquisa e comunicação têm desenvolvido projetos relevantes. Um exemplo é o Observatório de Comunicação Pública da Ciência, Tecnologia e Inovação da UFMG. O Observatório realiza monitoramento e produção de conteúdos sobre temas que envolvem ciência, meio ambiente e desigualdades, com o propósito de tornar informações qualificadas mais acessíveis ao público amplo.
Ao destacar o racismo ambiental como um problema que atravessa a história e as políticas de desenvolvimento do país, o Observatório contribui para que estudantes, jornalistas, gestores públicos e organizações sociais reconheçam a dimensão estrutural da injustiça ambienta.
Discutir racismo ambiental é fundamental porque revela que a degradação ambiental não é apenas uma questão ecológica ou técnica. Trata-se também de um problema político, social e histórico que define quem tem direito a viver em um ambiente seguro e saudável e quem é sistematicamente privado desse direito.
Promover justiça ambiental implica enfrentar essas desigualdades e garantir que todas as vozes sejam ouvidas nos processos de decisão. A construção de um futuro sustentável só será possível se também for um futuro mais justo.